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Home Caio Sales

Joanópolis, a Terra do Lobisomem

A História do Lobisomem (Parte 6 de 6)

por Redação GB
dezembro 24, 2025
no Caio Sales
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A cerca de cinquenta minutos de Bragança Paulista repousa uma joia escondida, incrustada como pedra rara aos pés da Serra da Mantiqueira. A cidade de Joanópolis, com suas vistas montanhosas e dezenas de cachoeiras de águas límpidas, está situada no interior paulista, guardando limite com as terras mineiras de Extrema e Camanducaia. A história do município remonta às incursões dos bandeirantes, que, a caminho de Minas Gerais, já mencionavam a região em 1749. O local tornou-se um povoado conhecido como São João do Curralinho em 1878, pertencente ao município de Santo Antônio da Cachoeira, atual Piracaia. Impulsionado pelo ciclo do café, foi rapidamente elevado à categoria de distrito e, logo depois, de município, recebendo em 1917 o nome de Joanópolis, em homenagem ao padroeiro que lhe confere proteção: São João Batista.

O dia de São João Batista, 24 de junho, sempre foi celebrado com grandes festejos no alto dos rios Jaguari e Cachoeira, onde o povo, alegre e dado às danças e às fogueiras, ganhou a fama de festeiro. A capela foi erguida a partir da iniciativa de Anselmo Caparica e Ambrosina Pinto, organizadores das reuniões e já influentes como patrocinadores.

Anselmo Caparica destaca-se não apenas como um dos fundadores da cidade de Joanópolis, mas também como uma figura cercada de mistério. Segundo o historiador Valter Cassalho, em entrevista ao portal G1 em 2024, era um homem alto que costumava caminhar ao anoitecer trajando capa. Por conta desses hábitos considerados peculiares, na época, começaram a circular boatos de que esse membro fundador de Joanópolis seria um lobisomem. Dizem que a crença ganhou força com uma cena emblemática, quando moradores o presenciaram resgatando gentilmente um cãozinho em meio a uma noite castigada por trovoadas, amalgamando as figuras no imaginário local, que já tinha a crença nos licantropos.

Os relatos sobre as feras canídeas continuavam numerosos na cidade quando, em 1983, a pesquisadora Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima – neta do próprio Anselmo Caparica e integrante da Escola de Folclore de São Paulo – trouxe maior destaque a esses causos em sua obra acadêmica “Lobisomem: Assombrações e Realidade”. Os segredos e mistérios ali reunidos não tardaram a despertar o olhar atento de grandes veículos, como a Folha de S. Paulo, a TV Globo e o Jornal do Brasil, entre outros. Assim, a partir daquela década, cristalizando-se de vez nos anos 1990, firmou-se para sempre a alcunha: Joanópolis, a Capital Nacional do Lobisomem.

Nos primórdios, a colônia italiana foi presença vigorosa na formação da cidade; operosa em seu labor e fecunda em sua cultura. Essa presença me conduz ao Versipélio e à carga simbólica herdada do licantropo grego pela Roma Antiga. Outro traço, comum a povoados nascidos em certo isolamento, foi a ocorrência de uniões entre parentes próximos, o que, segundo as crenças, também poderia ser um elemento propagador do fardo do lobisomem. Além disso, as famílias antigas costumavam ser bastante numerosas, não sendo raros os casos de sétimos filhos.

Algo que permanece até hoje é a curiosa relação dos moradores com essas histórias. Para os joanopolitanos, o lobisomem é uma assombração, mas não um mal em si. A frase “tal pessoa é lobisomem, mas é boa gente” ilustra bem essa visão. Por toda parte, referências à criatura se espalham, integrando-se à identidade da cidade e tornando-se também um chamariz de viajantes, algo que se soma às belezas da serra e das águas. Logo na entrada, por exemplo, os visitantes já se deparam com a figura da fera no Portal Turístico, como um patrimônio imaterial local. Essa relação amistosa com o mito se deve, em parte, ao fato de os relatos estarem mais ligados a ataques em galinheiros do que a pessoas. Ainda assim, persistem os temores tradicionais: a necessidade de batismo ou o simples arrepio causado por uma aparição súbita, bem como os testemunhos de janelas e portas arranhadas.

Essa relação com o lobisomem, que não é necessariamente de medo, transporta-me ao início dos anos 2000. Quando eu tinha dez anos, pernoitei em Joanópolis com meu pai, que é joanopolitano, e outros romeiros, em uma antiga fazenda de café onde ele contava ter vivido parte da infância, pois minha bisavó fora cozinheira do lugar. No dia seguinte, partiríamos em um longo trajeto a cavalo.

Lembro que, sabendo da fama da cidade por causa do lobisomem, adormeci naquele casarão com um misto de temor e curiosidade. Na verdade, havia muito mais curiosidade do que temor. Na família do meu pai, meus avós, Benedita e Aparecido – carinhosamente chamado de Vô Cido – também contavam relatos de lobisomem para ele e seus irmãos. Uma dessas histórias falava de uma família da vizinhança que tinha sete filhos, e o sétimo teria se tornado lobisomem. Diziam que, para evitar isso, o filho mais velho deveria batizar o mais novo, conforme a tradição já mencionada por aqui. Em outra narrativa, dois primos teriam se casado, e um dos filhos nascera todo peludo, feito cachorro.

Já dentre os casos de maior apreensão em Joanópolis, que figura no livro “Bento Pinheiro: o homem que fez o lobisomem correr”, de 2025, produzido como um documento histórico e memorial pela própria família, conta-se que, em uma noite sombria de julho de 1981, no bairro dos Cunhas, no interior de uma casa simples de tábuas de madeira, iluminada apenas por lamparinas, o afamado tropeiro recebia, junto da esposa e dos filhos, a visita de um compadre e de uma comadre. O batizado da primogênita recém-nascida aconteceria no dia seguinte e, enquanto proseavam sobre o assunto, um estranho barulho começou do lado de fora, de forma incessante. Algo rondava a casa e batia ao redor, com ferocidade, levando o anfitrião a espiar por uma fresta diminuta. Com os olhos cerrados, o joanopolitano avistou então um enorme cachorro magro, lembrando um bode orelhudo, que parecia caminhar apoiado nos cotovelos, ávido por comida.

Preocupado com a bebê ainda não batizada, pediu que as mulheres e as crianças se escondessem e, ao lado do amigo, dirigiu-se ao fogão aceso. Empunharam um tição e o chacoalharam com arrebato para espantar a fera, que saiu correndo e desapareceu pelo breu e pelo matagal. Ambos passaram aquela noite em vigília. Somente no dia seguinte, quando apressaram o batismo da criança, é que a tranquilidade retornou.

Trata-se de um causo em que se percebe com nitidez a função social do mito na oralidade brasileira – nesse caso, no interior de São Paulo –, em que um suposto deslize religioso é tomado como um dos principais catalisadores para a investida de um lobisomem, transformando a narrativa popular em advertência moral.

Em Joanópolis, pela melodia das cachoeiras, pelo frescor ou pelo cochilo das serras onduladas, pelo perfume da roça e pelos momentos de oração, a fera se uniu aos animais e aos medos do campo através da oralidade, desde a sua fundação, com ares misteriosos, sentindo-se à vontade nos sincretismos e nas assimilações da cultura popular caipira, que abraçaram a criatura europeia com a mesma naturalidade com que se recebe um amigo ou um familiar com um café recém-passado, uma saborosa pamonha cozida ou até mesmo um convite para uma festa junina, embora, creio eu, o visitante insólito prefira uma galinhada à luz do luar.

 

Caio Ambrósio Sales é pesquisador, ilustrador e escritor, com atuação nos meios cultural e publicitário. É pós-graduado em Marketing e Inovação pela PUC-Campinas e também em Sociologia, História e Filosofia pela PUC-RS. Atualmente, é pós-graduando em Gestão Cultural e Indústria Criativa na PUC-Rio. Tem também qualificação internacional em Marketing e Comunicação pela Academies Australasia, em Sydney, na Austrália. É membro da Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (ABERST) e da Associação de Escritores de Bragança Paulista (ASES). @caiosales_art

 

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