Está em exposição as obras de “Do Lixo ao Lótus – 50 obras em 20 anos de caos e paz”, do artista Bruno Jankowisk, no Centro Cultural Prefeito Jesus Adib Abi Chedid. A mostra reúne um conjunto expressivo de trabalhos produzidos entre 2004 e 2026, convidando o público a mergulhar em uma experiência estética que transita entre o sagrado, o urbano e o reaproveitamento de materiais.
A exposição apresenta 50 obras, entre desenhos, gravuras, aquarelas, pinturas e esculturas, compondo uma verdadeira cartografia de afetos e objetos. O artista constrói um diálogo singular onde elementos de matrizes hindu-budistas convivem com pássaros exóticos, formas geométricas, caligrafias expressivas e crânios, criando um universo visual rico em simbolismo e contrastes.
Um dos aspectos mais marcantes da mostra é o uso de materiais ressignificados. Fragmentos de serrarias, peças agrícolas e restos urbanos ganham nova vida nas obras, reforçando a proposta do artista de encontrar beleza e significado naquilo que foi descartado. Esse processo de “garimpo” artístico revela uma crítica sensível à lógica da economia contemporânea, que frequentemente desvaloriza o que não se encaixa em padrões de consumo.
Do ponto de vista técnico, a exposição também impressiona pela diversidade: técnicas tradicionais, como gravura e aplicação de folha de ouro, dialogam com recursos contemporâneos, como sprays, pátinas e ceras metálicas. Materiais como argila, marcadores e pastéis secos ampliam ainda mais as possibilidades expressivas, resultando em obras que equilibram rigor técnico e liberdade criativa.
Sobre o artista – Bruno Jankowisk é formado em Desenho Industrial pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, com pós-graduação em Branding e Design pelo Senac. Atuou por mais de duas décadas nas áreas de design e estratégia para grandes empresas como Smart Fit, Ambev e Papelito, além de participar como jurado em importantes premiações, como o Prêmio Bornancini (2014) e o concurso de identidade visual do Festival de Direitos Humanos de São Paulo.
Sua trajetória artística é influenciada por sua experiência como monge noviço no templo Wat Sriboonruang, na Tailândia, onde aprofundou estudos sobre espiritualidade, mitologia e arquétipos. Essa vivência reflete diretamente em sua produção, marcada por uma busca constante por significado, transformação e valorização do que é marginalizado.
A exposição é aberta ao público e convida todos a vivenciarem uma experiência artística única.
