Tecnologia acompanha continuamente a atividade elétrica do cérebro de recém-nascidos internados e permite identificar crises convulsivas sem sinais externos; primeiro caso monitorado foi o de uma bebê prematura extrema
A Santa Casa de Bragança Paulista passou a utilizar, na UTI Neonatal, um sistema de monitoramento contínuo da atividade cerebral voltado a recém-nascidos internados. Segundo a instituição e a PBSF (Protecting Brains & Saving Futures), empresa responsável pela tecnologia, o equipamento foi usado pela primeira vez em um bebê prematuro extremo, em um caso que as duas organizações descrevem como inédito no interior paulista.
De acordo com a Santa Casa, os monitores convencionais usados em UTIs neonatais acompanham batimentos cardíacos, respiração, pressão arterial e oxigenação. O novo equipamento acrescenta o acompanhamento da atividade elétrica cerebral, permitindo observar como o cérebro do recém-nascido está funcionando naquele momento.
Como funciona – Segundo a instituição, a tecnologia permite acompanhar de forma contínua a atividade cerebral do bebê, observar o processo de maturação do cérebro e identificar possíveis crises convulsivas. Em recém-nascidos, crises convulsivas podem ocorrer sem tremores ou outros sinais externos visíveis, o que torna o registro da atividade elétrica cerebral um recurso adicional para detectar alterações que não seriam percebidas apenas pela observação clínica.
Com os dados do monitoramento, a equipe médica pode investigar possíveis causas de alterações identificadas, avaliar a necessidade de tratamento e acompanhar a resposta do paciente às condutas adotadas.
Caso acompanhado pela nova tecnologia
O primeiro caso monitorado com o novo sistema na Santa Casa de Bragança Paulista foi o de Hellena, recém-nascida prematura extrema e de extremo baixo peso, que nasceu por cesárea de urgência motivada por pré-eclâmpsia na mãe, segundo informações divulgadas pelo hospital e pela PBSF.
De acordo com o relato da instituição, nos primeiros quatro dias de vida a bebê apresentou uma infecção precoce e instabilidade circulatória, com necessidade de medicação para sustentar a pressão arterial. O monitoramento cerebral foi iniciado aos 12 dias de vida, um dia após a implantação da tecnologia na unidade.
Possíveis aplicações da tecnologia – Segundo a Santa Casa de Bragança Paulista, o monitoramento cerebral pode contribuir para: identificar precocemente alterações na atividade cerebral; detectar crises convulsivas, inclusive aquelas sem sinais visíveis; acompanhar a maturação cerebral de bebês prematuros; avaliar como o cérebro reage a infecções e instabilidades clínicas; acompanhar a resposta do bebê aos tratamentos; apoiar decisões sobre a necessidade de determinadas medicações; subsidiar medidas de proteção neurológica durante a internação.
A instituição afirma ainda que o acompanhamento da atividade cerebral ajuda a diferenciar crises convulsivas verdadeiras de movimentos que apenas se assemelham a elas — distinção que, segundo a literatura médica, é relevante tanto para o tratamento quanto para evitar intervenções desnecessárias.
Capacitação da equipe – Segundo a Santa Casa, a implantação do sistema envolveu, além da disponibilização do equipamento, a capacitação da equipe assistencial para incorporar as informações do monitoramento cerebral à rotina da UTI Neonatal e relacioná-las ao quadro clínico de cada recém-nascido.
