Paulo Alberti Filho
O destino de uma nação não se constrói com a passividade dos que se calam, mas com a coragem dos que se posicionam. O próximo domingo, 4, desenha-se como o verdadeiro “Dia D” para o futuro do Brasil. Trata-se da oportunidade soberana de o povo brasileiro utilizar a arma mais poderosa e legítima que detém em uma democracia: o voto. No entanto, o fantasma da abstenção, dos votos brancos e nulos ameaça, historicamente, silenciar entre 20% e 30% do eleitorado — uma massa que varia de 30 a 45 milhões de cidadãos que abrem mão de decidir a própria história. Essa omissão nas urnas não é neutra; ela opera como uma força negativa que deforma a representação política.
A urgência de um voto consciente e sóbrio torna-se ainda mais evidente diante do nível rasteiro a que desceu o debate político nacional. Recentemente, assistimos a episódios lamentáveis no horário eleitoral, com ataques desrespeitosos feitos pelo presidente da República, às mulheres, à população idosa, em uma retórica hostil que tenta coagir o eleitor em vez de convencê-lo. Esse cenário de degradação discursiva convive com uma grave crise institucional. O país assiste, perplexo, à complacência de um Congresso Nacional muitas vezes omisso e inerte, a suspeitas que fragilizam a credibilidade de ministros de Tribunais Superiores e a canetadas do Poder Executivo que afrontam os limites do Estado Democrático de Direito. Para o cidadão de bem, o voto não é apenas uma escolha partidária, mas um ato de legítima defesa contra o caos e a baderna institucional.
No âmbito local, a região bragantina enfrenta uma encruzilhada histórica que exige maturidade de seu eleitorado. Pela primeira vez desde 1962, quando Nabi Abi Chedid foi eleito deputado, a região perdeu sua cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). A renúncia do deputado Edmir Chedid para assumir o Executivo municipal encerrou um ciclo de décadas de hegemonia de uma única força política que, nesta eleição, não lançou sucessores diretos. Esse vácuo de representatividade deixou a região órfã de uma voz forte na capital.
Diante dessa lacuna, o cenário local fragmentou-se. Figuras tradicionais da política bragantina, como o ex-prefeito por três vezes, Zé de Lima, buscam canalizar o espólio político da região em uma disputa com outros candidatos como Cel. Américo, Sandro Montanari, Soninha da Saúde e Juninho Boi.
Cabe à população reagir à apatia e entender que o isolamento político custará caro ao desenvolvimento regional. Bragança Paulista e as cidades vizinhas necessitam, urgentemente, reconquistar seu espaço nos cenários estadual e federal.
Votar com seriedade e responsabilidade, blindando-se contra promessas fisiológicas de aventureiros ou a corrupção do poder econômico, é um dever moral com as futuras gerações.
No domingo, o eleitor bragantino e regional tem o compromisso de resgatar o país da vala comum da mediocridade, da corrupção. Tem o poder de escolher novo representante para devolver à região bragantina o protagonismo que lhe cabe desde os anos 1960.
