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Home Coluna da Gazeta

COLUNA DA GAZETA

por Redação GB
outubro 10, 2026
no Coluna da Gazeta
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“ Eleição e mineração, só depois da apuração”.
(Sabedoria popular)

URNAS REVELAM AMADORISMO

Os candidatos a deputado estadual com domicílio eleitoral em Bragança terminaram as eleições sem nem chegar perto da conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa (Alesp).
A votação registrada no município mostrou o Delegado Sandro Montanari à frente com 17.052 votos, seguido por Zé de Lima com 16.119 votos. Mais abaixo aparecem, Juninho Boi (5.429 votos), o Coronel Américo (4.705 votos) e Soninha da Saúde (755 votos). O desempenho geral é considerado baixo quando comparado ao teto de corte estimado durante a campanha que foi considerado pela GB entre 50 e 60 mil votos, necessários para garantir competitividade real a uma vaga no legislativo estadual.

FRAGMENTAÇÃO DO VOTO
Se somarmos a votação geral obtida em Bragança pelos cinco candidatos — Delegado Sandro Montanari (23.073 votos), Zé de Lima (19.356 ), Coronel Américo (9.584 ), Juninho Boi (5.945 ) e Soninha da Saúde (1.092 ) o total chega a 59.050 votos. Isso demonstra que, se houvesse uma unificação ou menor dispersão de nomes, a cidade teria força política para romper o teto de corte. Na realidade o quociente eleitoral foi 247.766 e o Partidário de 24.777 votos (que foi o de corte). Isso quer dizer que ninguém poderia ser eleito com votação inferior a 24.777 votos. A pulverização excessiva de candidaturas locais acabou isolando cada um em seus próprios nichos, anulando as chances de a cidade eleger um representante majoritário para Alesp. A última das 94 vagas foi preenchida por Ricardo França (Podemos) que obteve 53.644 votos, confirmando a estimativa de 50 mil a 60 mil votos necessários que a GB divulgou no período eleitoral.

COMPARANDO
Os 94 candidatos eleitos para a ALESP, todos foram votados em Bragança e tiveram de 01 a 8.429 votos. Comparando as campanhas de candidatos de outras cidades que levaram muitos votos de Bragança, porque tinham campanha bem estruturada em todos os sentidos, com os candidatos locais, veja a diferença: Vou citar os cinco mais votados para estadual: Eduarda Campo piano (PL), 8.429 votos; Eduardo Suplicy (PT) 1.740; Sofia Fávero 1.436 e Carlos Giannazi, 1.154. Muitos nunca pisaram em solo bragantino, se abusar nem sabem onde fica Bragança. Isso mostra que o eleitorado bragantino se renovou com a migração de eleitores da capital, do ABC e outras regiões, além da influência digital.

FEDERAIS
Também para a Câmara Federal todos os 70 candidatos eleitos foram votados em Bragança. Aliás, melhor votados que os estaduais. Selecionei os cinco mais: Lucas Pavan ato (PL) 18.519 votos; Saulo Pedroso (PSD),8.157; Erika Hilton (PSOL) 5.459; Kim Kataguiri (Missão) 2.569 e Renato Bolsonaro (PL) 2.434.

FALTA DE ESTRUTURA
O resultado das urnas expôs as fragilidades crônicas das campanhas locais. Houve uma evidente falta de estrutura financeira e ausência de uma articulação política regional sólida, que permitissem expandir as votações para além das fronteiras do município. Além disso, as campanhas foram marcadas pela falta de propostas objetivas que gerassem forte engajamento, limitando os candidatos a discursos genéricos que não conseguiram convencer a massa do eleitorado bragantino.

TESTE PARA 2028
Nos bastidores, avalia-se que a ida às urnas este ano serviu majoritariamente como um balão de ensaio. Ficou evidente que muitos desses candidatos utilizaram o pleito estadual para testar seu real potencial de votos e manter a imagem pública em evidência na cidade. O objetivo estratégico central não era necessariamente a Alesp, mas pulverizar votos e evitar ascensão de nova liderança regional, pavimentar o terreno e medir forças de olho nas composições e candidaturas para as eleições municipais de 2028.

ILUSÃO E ERRO
Sabendo das extremas dificuldades financeiras e partidárias para atingir o quociente eleitoral e o quociente partidário, os candidatos adotaram discursos excessivamente otimistas. Essa postura pode ter induzido parte do eleitorado a acreditar na viabilidade de eleições que, matematicamente, eram praticamente impossíveis de se concretizarem. Sem proposituras concretas, se ativeram em narrativas superficiais sobre temas recorrentes até dos discursos e pautas defendidas pelo ex-deputado e atual prefeito Edmir Chedid desde sempre.

TRANSFERÊNCIA DE VOTOS
O reflexo político recai também sobre o prefeito Edmir Chedid (UNIÃO). O candidato apoiado pelo prefeito, Coronel Américo (PL), obteve 4.705 votos no município, frustrando as expectativas de muitos de transferir expressivamente a votação do grupo que comanda o Executivo municipal.
Essa narrativa da oposição é pura ilusão. Todos perceberam que o apoio do prefeito foi pessoal e discreto. O eleitor de Bragança é inteligente: ele sabe que o Edmir é o prefeito, e o capital político do grupo ainda está intacto, consolidado e não foi colocado a prova nessa eleição.

“CANDIDATOS DE FORA”
Com um eleitorado apto expressivo e mais de 104 mil votantes comparecendo às urnas na cidade, uma fatia gigantesca dos votos locais migrou para deputados de outras regiões do estado. Isso evidencia que a falta de propostas e de apelo regional dos nomes da terra abriu espaço para que candidatos “forasteiros”, mas com estruturas de campanha robustas e forte presença digital, com discurso ideológico e genérico abocanhassem o eleitorado de Bragança Paulista, esvaziando o discurso do voto bairrista.
ZÉ DE LIMA PERDE FÔLEGO
Um ponto de análise crucial é o desempenho de Zé de Lima. Na disputa pela prefeitura em 2024, ele obteve uma votação expressiva de 40.850 votos (45,83%), quase derrotando o grupo governista. Apenas dois anos depois, ao registrar 16.119 no município, ele viu seu capital político encolher 40% em termos nominais. Essa oscilação acende um sinal de alerta para o seu grupo político sobre a capacidade de manter o eleitorado mobilizado até 2028.

BANCADA LIBERADA
Diferente de pleitos anteriores, onde o grupo Chedid marchava unificado em torno de um único nome, a campanha de 2026 foi marcada pela flexibilização tática. O prefeito Edmir Chedid optou por conceder liberdade de escolha para os vereadores e lideranças da base aliada apoiarem diferentes candidatos, transformando o suporte ao Coronel Américo (PL) em um compromisso de caráter estritamente pessoal . Essa descentralização explica o porquê de o “capital de 44 mil votos” do grupo não ter se concentrado na candidatura do ex-secretário, já que a própria estrutura partidária da base estava pulverizada em múltiplos apoios.

HEGEMONIA CONSERVADORA
Para os cargos majoritários, no município, Tarcísio de Freitas obteve uma vitória esmagadora para o governo com 73,91% (55.325 votos). Para presidente, Flávio Bolsonaro liderou de forma isolada na cidade com 62,52% (50.515 votos). Esse cenário conservador torna ainda mais intrigante o fato de candidatos locais alinhados a esse espectro não terem conseguido surfar nessa onda majoritária para inflar suas votações proporcionais.

RECORDE DE VOTAÇÃO

Nos últimos 50 anos, até o primeiro turno da eleição, apenas três políticos ultrapassaram a marca de 70 % dos votos validos em Bragança Paulista: Prefeito Jesus Chedid em 2016 que obteve votos dos 71.19 % dos 79,63% que foram às urnas. Depois vem presidente Bolsonaro em 2018 com 79,91% e agora o governador Tarcisio com 73,88% dos votos válidos, consolidando a hegemonia conservadora do eleitorado bragantino.

REFLEXÃO: Salmos-
Salmos 33: 1-12 (… de 22)
1 Regozijai-vos no SENHOR,
Vós justos, pois aos retos convém o louvor.
2 Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério
E um instrumento de dez cordas.
3 cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.
4 porque a palavra do SENHOR é reta,
E todas as suas obras são fiéis.
5 Ele ama a justiça e o juízo; a terra está cheia da bondade
Do SENHOR.
6 pela palavra do SENHOR foram feitos os céus,
E todo o exército deles pelo espírito da sua boca.
7 Ele ajunta as águas do mar como num montão;
Põe os abismos em depósitos.
8 Tema toda a terra ao SENHOR;
Temam-no todos os moradores do mundo.
9 porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu.
10 O SENHOR desfaz o conselho dos gentios,
Quebranta os intentos dos povos.
11 O conselho do SENHOR permanece para sempre;
Os intentos do seu coração de geração em geração.
12 Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR,
E o povo ao qual escolheu para sua herança.
Alma espera no SENHOR;
ele é o nosso auxílio e o nosso escudo.

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