PAULO ALBERTI FILHO
As urnas surpreenderam a todos que acreditavam em milagres. Sim, “milagres”, mais de um. Não se faz churrasco sem “carvão”, nem política.
É claro que para todos que sonhavam com uma eleição só com votos da região, faltou carvão ($). Não faltaram discursos e promessas de apoiadores na pré-campanha. Promessas de deputado, de prefeitos, de vereadores, de empresários e de cacique partidário, foram abundantes.
A GB esteve presente no lançamento da campanha do candidato Zé de Lima lá atrás, no início de agosto. Testemunhou discursos inflamados e apaixonados do ex-prefeito de Atibaia e candidato à federal Saulo Pedroso, de Mauricio de Oliveira Santos, prefeito de Socorro, do Careca, prefeito de Tuiuti, de Kassab presidente do partido e vereadores todos prometendo trabalho profícuo em busca do voto para eleger Zé de Lima deputado estadual pelo PSD.
Entrevistei 4 dos cinco candidatos a deputado estadual por Bragança. Zé de Lima, Cel. Américo, Sandro Montanari e Soninha da Saúde. Juninho Boi foi convidado, mas declinou do convite. Todos os quatro pareciam acreditar que o espaço do grupo Chedid, esvaziado para a disputa de deputado, porque não lançou candidatura própria, poderia ser ocupado por qualquer um deles. Até poderia, não fosse interesses outros além eleição e o amadorismo inaceitável em qualquer campanha eleitoral, principalmente para deputado estadual.
As bocas falaram demais e, da metade da campanha para frente, as vozes apaixonadas e prometedoras foram baixando, baixando até serem caladas pelas urnas.
E as urnas desnudaram as traições, as promessas não cumpridas, o trabalho não trabalhado e ainda sugeriram possível decadência do prestígio de prefeitos e outras lideranças. Também revelaram o engajamento digital transformado em votos pelos “forasteiros”. Na verdade, não dá para afirmar o que realmente aconteceu por exemplo, em Atibaia com o candidato Zé de Lima. Lançado e apoiado com veemência verbal pelo deputado federal Saulo Pedroso e dobrada praticamente única em toda a campanha. Lá, Zé de Lima obteve 561 votos; Saulo 18.004. Se ambos estavam praticamente colados, faltou alguma coisa para Zé ter mais votos. Em Bragança, Zé obteve 16.119 votos e Saulo 8.157. Então!
Outro exemplo, o prefeito de Socorro, Mauricio de Oliveira Santos (PSD), que fez o discurso mais apaixonado e veemente no lançamento da campanha, parece que falou mais que a boca. Zé de Lima (PSD) obteve apenas 61 votos em Socorro, enquanto que o candidato Barros Munhoz (PSD), obteve 5.336 votos. Interessante, todos do mesmo partido. Ah, o Saulo beliscou 3.519 votos.
Porém, entretanto, todavia, contudo, se a intenção foi avaliar a performance nas urnas, a tentativa foi vitoriosa para o estreante Sandro Montanari que beliscou 17.052 votos e para Juninho Boi (PSB) que em 2024 obteve 2.241 votos para vereador e agora conquistou 5.429 votos, aumentando sua votação em 142%, talvez por obra do espírito santo. O cel. Américo cresceu 296%, de 1.187 pulou para 4.705 (certamente por causa do apoio discreto do prefeito Edmir). Os demais viram seu capital político encolher. Em 2024 Zé de Lima, para prefeito, obteve 40.480 votos e agora 16.119, encolheu 40%, a vereadora Soninha da Saúde também encolheu 26%, de 1022 para 755 votos nesta eleição.
Acredito que esses exemplos resumem o que pode ter ocorrido com os derrotados nesta campanha, que esperavam promover o milagre da duplicação dos pães – sem os pães.
