Em tese, o que deveria mover o vereador a votar a favor ou contra um projeto de lei ou qualquer outra propositura, seria unicamente o interesse público. Claro que há propostas que fogem a esse interesse, ou pelo menos intermedeiam entre o público, digamos assim, e o interesse político. Quando há o confronto entre o público e o político, quem perde é sempre quem votou nos vereadores e a cidade.
E foi exatamente isso que ocorreu no projeto de lei do empréstimo de R$20 milhões do PAC da Mobilidade Urbana, que os vereadores da oposição rejeitaram recentemente. Com essa rejeição, a verba provavelmente será enviada pelo Governo Federal para outro município. E Bragança perde 200 pontos de ônibus, remodelação da rodoviária velha, obras de infraestrutura viária, etc. Já era! Os vereadores de Bragança que advogam contra o prefeito e, pelo visto, contra o interesse público e a cidade também, derrubaram e comemoraram o feito. Ou seria o mal feito?
O município ainda lamentando a perda de R$ 20 milhões, num momento tão difícil da economia nacional, corre o risco de levar outra tungada da Câmara Municipal. Desta vez na área da Saúde.
Tramita pela Câmara, com aparente e proposital lerdeza, o projeto de lei que autoriza a Prefeitura contrair empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, da ordem de R$ 96 milhões pré destinados a revitalização de mais de 40 equipamentos e postos de atendimento à saúde no município. A morosidade no trâmite do projeto poderá condená-lo a derrota, ter o mesmo destino do da Mobilidade Urbana, considerando que estamos em período eleitoral propriamente dito (3 de abril a 18 dezembro), quando é proibido celebrar convênios.
O projeto ainda está em fase de audiência pública, estamos em meados de março, e abril é logo ali. Não fosse a Câmara (oposição) tão leniente quando se trata de construir para a cidade, olhar para cima e para o futuro, inclusive da saúde da população, talvez isso não ocorresse.
Serão necessários 13 votos para aprová-lo (2/3 dos 19 edis) e o prefeito tem 12 e a oposição 7. Obviamente todos serão lembrados durante o resto do mandato e nas eleições de 2028.
Por outro lado, olhando para o perfil de cada vereador da oposição que se posta contra tudo que o Executivo propõe e produz, não se percebe que eles têm um olhar para a cidade, além das narrativas redundantes, ideológicas, personificadas e carregadas de rancor e ódio. E quase sempre descambando para o rocambolesco.
Fica aqui a grande dúvida: O que levaria um vereador a votar contra empréstimos, da ordem de R$116 milhões (96 +20) para melhorar a qualidade de vida da população, dos equipamentos de Mobilidade Urbana e da Saúde.
O que será que está faltando para convencê-los a mudar seus olhares para o bem e para a alegria de fazer o povo feliz?
O povo fez a sua parte em 2024, deixando os eleitos muito felizes.