Amparo decretou emergência em saúde pública e interditou um pesqueiro; em Paulínia, paciente de 68 anos está curado
Municípios da região de Campinas e do entorno da Região Bragantina registram ocorrências de febre maculosa. Em Amparo, foram confirmadas quatro mortes pela doença, levando a prefeitura a decretar situação de emergência em saúde pública. Já em Paulínia, foi confirmado o primeiro caso de 2026. O paciente é um homem de 68 anos que está curado, segundo a administração municipal. As informações são do G1 Campinas e Região.
Amparo integra a Região Bragantina, enquanto Paulínia faz parte da Região Metropolitana de Campinas. Os casos reforçam o alerta para a prevenção da doença e a importância de procurar atendimento médico diante de sintomas após possível contato com carrapatos infectados.
O caso de Paulínia foi confirmado na terça-feira (27), após uma contraprova realizada pelo Instituto Adolfo Lutz. A suspeita é de que o homem tenha sido infectado em uma área de córrego às margens da Rodovia Zeferino Vaz (SP-332), no bairro Jardim Boa Esperança. Segundo a prefeitura, a investigação epidemiológica já foi realizada, e as equipes farão uma vistoria no local para verificar a presença do carrapato transmissor. Caso necessário, a área será sinalizada.
A administração municipal orienta que pessoas que apresentem febre ou outros sintomas após frequentar áreas verdes ou terem contato com carrapatos procurem uma unidade de saúde. É importante informar ao profissional sobre os locais visitados e a possibilidade de exposição ao parasita.
Quatro mortes em Amparo
Em Amparo, o decreto de emergência foi anunciado na sexta-feira (23), após quatro mortes por febre maculosa. Todas as vítimas eram homens. Segundo a administração municipal, três dos óbitos ocorreram entre setembro e outubro.
A primeira morte foi registrada em 12 de julho. Os outros casos ocorreram em 29 de setembro e 2 de outubro. Durante a investigação, foi identificado que duas das vítimas teriam frequentado um pesqueiro no bairro Chácara São João, interditado preventivamente pela prefeitura por ser considerado um possível local de exposição à doença.
As amostras coletadas dos pacientes foram encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz para análise laboratorial. A investigação busca identificar os locais em que as vítimas podem ter tido contato com carrapatos infectados.
Com o decreto, o município intensificou as ações de vigilância epidemiológica e controle ambiental. As medidas incluem monitoramento de carrapatos, manejo da vegetação, roçagem técnica e intervenções em áreas consideradas de risco. Também está prevista a instalação de placas de advertência para alertar a população e restringir o acesso a locais com possibilidade de exposição.
A prefeitura anunciou ainda a capacitação de profissionais de saúde para identificar precocemente os sintomas e orientar o início rápido do tratamento em casos suspeitos. Campanhas de conscientização serão realizadas em unidades de saúde, nos meios de comunicação e nas redes sociais.
Sintomas e transmissão
A febre maculosa é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada de carrapatos infectados, especialmente o carrapato-estrela. A região de Campinas é considerada endêmica para a doença.
Os sintomas podem aparecer de dois a 14 dias após a exposição e incluem febre, dor de cabeça, dores intensas no corpo, mal-estar, náuseas e vômitos. Também podem surgir manchas avermelhadas na pele.
A doença pode evoluir rapidamente e causar complicações graves. Por isso, quem frequentou áreas de mata, margens de rios, parques, pesqueiros ou locais com presença de capivaras deve informar essa exposição aos profissionais de saúde caso apresente sintomas.
Como se prevenir
Para reduzir o risco de contato com carrapatos, a orientação é evitar caminhar, sentar ou deitar na grama e em áreas com vegetação alta ou acúmulo de folhas. Em locais de risco, recomenda-se usar roupas claras, calças compridas e calçados fechados, facilitando a identificação dos parasitas.
Após visitar áreas verdes, é importante examinar o corpo e as roupas. Caso encontre um carrapato preso à pele, a retirada deve ser feita com uma pinça, sem esmagar o animal.
Se houver febre ou outros sintomas nos 14 dias seguintes à possível exposição, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente e informar onde esteve. O reconhecimento precoce dos sintomas e o início rápido do tratamento são fundamentais para reduzir o risco de agravamento da doença.

