Bragança Paulista e região saíram derrotadas desta última eleição. Ao fechar das urnas, consolidou-se um cenário incômodo, mas previsível: a completa orfandade política no parlamento paulista. A vaidade, a ambição desmedida e a covardia manifesta do “faz de conta que vou, mas não vou” saíram como as verdadeiras vencedoras de um pleito que selou o isolamento de Bragança na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).
Para entender o tamanho do retrocesso, basta olhar para o retrovisor. Durante 42 anos, a representação bragantina e regional foi mantida com mão firme por Nabi e Edmir Chedid. Nabi, eleito pela primeira vez em 1962, só deixou o parlamento em novembro de 2006, quando faleceu. Edmir, que estreou na ALESP em 1994, seguiu invicto até 2024, quando renunciou para assumir o Executivo bragantino. A orfandade regional começou exatamente ali.
Neste ano, a esperança de preencher essa lacuna foi depositada em nomes como José de Lima, Sandro Montanari e Coronel Américo. Infelizmente, a ilusão desmoronou com a contagem dos votos. O erro crucial? Todos fizeram campanhas estritamente municipais. Faltou investimento financeiro estruturado e, acima de tudo, articulação política regional — elementos obrigatórios para quem disputa um cenário onde a linha de corte para a eleição ultrapassava a marca dos 60 mil votos.
Nenhum deles chegou perto. Sandro obteve 23.073 votos, Zé de Lima alcançou 19.356 e o Cel. Américo somou 9.584 no cômputo geral do TRE-SP. No plano estadual, foram votações decepcionantes. No plano municipal, as urnas de Sandro, Zé de Lima e Américo serviram apenas para testar um patamar de prefeituráveis, enquanto os demais candidatos locais, Juninho Boi e Soninha da Saúde, registraram números compatíveis com votações de vereador.
O amadorismo pesou. É o preço cobrado quando se nega o profissionalismo nas urnas. Nabi e Edmir nunca subestimaram a engenharia eleitoral. O mesmo profissionalismo é visto na região vizinha de Itapira, onde o deputado Barros Munhoz (PSD), aos 82 anos, garantiu sua oitava eleição consecutiva para a ALESP com expressivos 116.413 votos.
De certa forma, a boa-fé do eleitor bragantino foi ludibriada. É ingenuidade acreditar que se faz uma campanha competitiva para deputado estadual sem um teto financeiro robusto, a menos que o candidato possua um carisma avassalador ou um apelo ideológico extremo nas redes sociais — fenômeno como o da jovem Eduarda Campobiano, de Praia Grande, que converteu engajamento digital em votação histórica. Quem, entre os candidatos de Bragança, possuía o carisma ou a estrutura necessária para atrair mais de 50 mil votos de forma orgânica e gratuita? A resposta veio no resultado.
Que o desfecho deste ano sirva de lição pedagógica para novatos e aventureiros. Disputa parlamentar exige vocação, base eleitoral sólida construída ao longo de anos, um padrinho político de peso disposto a abrir espaços e o indispensável aporte financeiro.
Sem nenhum candidato que reunisse tais atributos, Bragança Paulista e os municípios vizinhos retrocedem no tempo. A partir de 2027, restará aos prefeitos locais bater às portas de gabinetes alheios na ALESP, em secretarias de Estado e no Palácio dos Bandeirantes. Com o chapéu na mão, mendigando emendas e recursos para sustentar as necessidades básicas da cidade e da população.
Se com representação própria já era difícil garantir investimentos, a partir de agora a régua ficou muito mais alta e sem justificativa para reclamar. O chapéu voltou para as mãos dos prefeitos. Resta saber quem terá força para trazê-lo cheio
