Acidente ocorrido por volta das 6h40 da manhã desta sexta-feira (22), na rodovia Alckindar Monteiro Junqueira, que liga Bragança a Itatiba, tirou a vida de Eliezer Jorge Pena, de 38 anos. A moto em que ele estava foi atingida frontalmente pelo veículo que era conduzido pelo jogador de futebol Renan Victor da Silva, de 20 anos, que pertence ao Palmeiras, mas está emprestado ao Bragantino. Renan não era habilitado para a condução de veículos automotores e se negou a fazer o teste de bafômetro e a fornecer sangue para exame de dosagem alcoólica. Aos Policiais Militares Rodoviários ele disse que estava em uma festa e bebeu “Gin”, porém na delegacia se manteve em silêncio.

“Nós apuramos que o condutor do automóvel está com a CNH com pontuação no período de Permissão, o que o torna automaticamente inabilitado. Foi oferecido para ele a fazer o teste do etilômetro e ele recusou”, disse o 2º Sargento da Polícia Militar Rodoviária, Anderson Rodolfo, que ainda destacou que Renan apresentava, no local dos fatos, hálito com odor etílico.
Com a recusa de Renan, ele foi levado ao Plantão Central da Polícia Civil. Na delegacia, os Policiais Militares Rodoviários explicaram a delegada Dra. Aline Alessandra Marques Faria Ferreira, que apuraram que por volta das 6h40, o veículo Honda/Civic Touring CVT, branco, placa de São Paulo, GEJ6A46, conduzido por Renan, seguia pela rodovia Alkindar Monteiro Junqueira, sentido Itatiba/Bragança Paulista, e na altura do km 47+500, entrou na contramão de direção, em faixa contínua, e colidiu frontalmente com a motocicleta Honda/Cg 160 Fan, preta, placa local, FWA9619, que era conduzida por Eliezer, que seguia em sentido contrário. Com ao impacto Elizer não resistiu aos graves ferimentos sofridos e faleceu no local.
Sem ferimentos, Renan não quis fazer o teste do etilômetro (bafômetro), porém os policiais notaram que ele apresentava odor etílico. “A princípio os Policiais sentiram um odor etílico quando atenderam a ocorrência, mas não visualizaram nenhum outro sinal que caracterizasse embriaguez ao volante, não tinha olhos avermelhados, fala pastosa, andar cambaleante, apenas o odor etílico” disse Dra. Aline Ferreira.
Segundo Boletim de Ocorrência, os patrulheiros estaduais ainda questionaram Renan se ele havia bebido, tendo ele dito que bebeu “Gin” numa festa em que estava. Sobre o acidente ele alegou que “acabou cochilando no volante” e por isso colidiu contra a motocicleta. “Ele se recusou a fazer o etilômetro e a doar sangue, passou pelo exame clínico, mas já fazia algumas horas dos fatos, a princípio o exame deu negativo para embriaguez. Mas com base no depoimento dos policiais, que sentiram odor etílico e até mesmo por ele ter afirmado que ingeriu bebida alcóolica nessa festa, ele foi autuado por homicídio culposo, com a qualificadora de estar sobre a influência de álcool”, disse Dra. Aline Ferreira.
Em pesquisas de praxe os policiais ainda apuraram que Renan não é legalmente habilitado e que ele perdeu sua Permissão Para Dirigir (PPD), a popular CNH provisória por infração de trânsito grave. A PPD tem validade de 12 meses e para se transformar em definitiva o portador não pode tomar multas graves ou gravíssimas. A cassação da PPD por multas tornou Renan inabilitado para dirigir veículo automotor.
Segundo informações, testemunhas que trabalhavam no local na hora do acidente, disseram ainda que uma mulher estaria no veículo com o jogador e que ela teria dispensado uma garrafa de bebida. A delegada acionou a perícia técnico-científica para o local, sendo apreendida no acostamento no local do acidente, uma garrafa contendo aparentemente bebida alcoólica. O material passará por perícia.
“A princípio a Polícia Rodoviária não falou nada a respeito disso, não foi apresentado aqui (Plantão Central), nenhum funcionário da rodovia ou testemunha que comprovasse ou falasse que viu essa pessoa tirando (a garrafa do carro). Ele diz que estava sozinho no carro” disse a delegada, que finalizou dizendo que a Polícia Civil seguirá com a investigação do caso através de inquérito a ser instaurado na Central de Polícia Judiciária, que irá verificar e checar a veracidade de todas as informações obtidas até o momento, bem como buscar testemunhas oculares dos fatos.
Na delegacia, Renan se manteve em silêncio e negou a fornecer sangue para o exame de dosagem alcoólica. Ele foi autuado em flagrante por homicídio culposo na condução de veículo automotor, com aumento em 1/3 da pena por não ter habilitação, tendo como qualificador o parágrafo 3º do artigo 302 da Lei 9.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro que diz “Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência”. Renan foi levado ao IML para exame de corpo de delito e encaminhado para a Cadeia Pública de Piracaia, onde passará por audiência de custódia na manhã deste sábado (23).