ADVERTÊNCIA À BURRICE
Vamos chamar de advertência técnica, para não dizer muito e já dizendo tudo, advertência à burrice, a observação do prefeito Edmir Chedid ao visitar a creche do Jardim Bonança que atenderá cerca de 200 crianças entre quatro meses e três anos de idade. Crianças cuja maioria será carregada no colo dos pais ou em carrinhos de bebês.
Muito bem! A creche do Jardim Bonança, bairro ainda em formação, custou cerca de R$5 milhões para Prefeitura. Na visita do prefeito, secretários e imprensa verificada na quarta-feira, 22, o prefeito se indignou ao se deparar com o acesso à creche composto por uma escadaria de cerca de 35 degraus e oito rampas em aclive com cerca de oito metros cada uma, perfazendo mais de 64 metros. Essa obra foi iniciada em 2024 durante a gestão do Prof. Amauri Sodré.
Dizia o grande jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues: “O maior erro da natureza é a burrice não doer”.
Para uma mãe ou pai, que carrega filhos no colo, esses dois instrumentos são dificultadores de acesso e mobilidade.
“ Por que não nivelaram o terreno antes de construir a creche? ”. Isso é um erro grave. Quem errou? – Questionou o prefeito.
Presume-se que essa reação do prefeito deve ter provocado no atual secretário de obras, Marcos Ivonica, alguma reação para buscar saída legal, consertar ou minimizar os efeitos dessas dificuldades de mobilidade da creche criadas pela “genialidade” dos então responsáveis.
Por outro lado, como a prefeitura em 2023 ou 2024, quando o projeto foi concebido e iniciada a sua execução, o prefeito, o secretário ou secretária de Obras, o arquiteto, o projetista, enfim – quem desenhou o projeto sobre um barranco, não teve a capacidade de ver esses absurdos antes de aprová-lo? Quem sabe que sem esses dificultadores a obra não ficaria bem mais barata!
Esse é um simples exemplo de como a coisa pública foi tratada em Bragança. Não pense que é só esse caso da creche. Tem mais, tem muito mais.
Desde sua posse nota-se a preocupação constante do prefeito Edmir com a saúde pública, com os equipamentos de saúde e da população. E assim prossegue, priorizando o setor.
Mas a cada enxadada da atual administração, surge um balde de minhoca.

CARNAVAL
As declarações do prefeito sobre em não liberar verba para o carnaval, desagradou os sambistas, foliões, comércio e a comunidade. Mas tem um motivo. A Liga das Escolas de Samba – LIESB – está impedida por força de liminar da Justiça expedida ano passado, de receber dinheiro público, por suposta irregularidades denunciadas a época. E sem dinheiro público não tem desfile das escolas de samba. O mecanismo funciona assim: a prefeitura passa a verba para a LIESB e essa repassa para as escolas de Samba. Depois a LIESB presta contas para a prefeitura que, por sua vez, presta contas ao Tribunal de Contas do Estado.
A Prefeitura não está quebrada. Graças a Deus, a Prefeitura tem sido desde 2025 bem administrada com austeridade. Em comparação a outros municípios, está em situação privilegiada financeiramente.
Mas a simples declaração ou comentário do prefeito tomou as redes sociais, foi propositadamente mal interpretada e o pânico se espalhou entre as escolas de samba e seus componentes.
Quem impede que a Prefeitura repasse as verbas para as escolas via LIESB é a justiça. Não é o prefeito.
INDEPENDENTE
O discurso daqueles que acham que as escolas de samba têm de se virar para não mais depender de recursos da prefeitura é uma utopia. Isso não funciona em nenhum lugar do mundo, exceto se o comércio e indústria investissem em eventos, mas a maioria desses segmentos de Bragança está mais para parasitas do que para investidores.
Bragança talvez seja a única cidade do mundo onde a maioria do comércio considera publicidade como despesa e não investimento, mesmo que seja para melhorar sua imagem.
Sem verba da prefeitura, o carnaval está condenado a desaparecer em Bragança Paulista e perderia a atração turística que um dia foi considerada a melhor do interior paulista. Acredito que para 2027 a situação legal estará resolvida, a LIESB reestruturada e o carnaval voltará a brilhar na passarela.
HISTÓRIA
Em 1 º de fevereiro de 1962 foi criada a Escola de Samba Unidos do Lavapés, a pioneira e, em 1º maio do mesmo ano, a Nove de Julho. A partir de então, somente em 1982 (prefeito Alberto Diniz, eleito com apoio de José de Lima) e 1997 (José de Lima,) não aconteceu o tradicional desfile de escolas de samba.
Naqueles anos a Prefeitura era governada pelo grupo José de Lima. Em 1982, ano eleitoral, Alberto Diniz teria sofrido pressão das carolas, do papa hóstias e do clero da época, para não fazer o carnaval. E não fez. Em 1997, José de Lima, eleito no ano anterior, em início de mandato, teria alegado falta de recursos e de tempo hábil. O carnaval aconteceria entre de 7 a 11 de fevereiro. Não aconteceu.
E agora 2026, pela terceira vez, não haverá desfiles das escolas de samba patrocinado pela Prefeitura, por força de uma liminar contra a LIESB que a impede de receber recurso público.