º,

Dólar: R$ 3.8397

Politica

JBS ajudou campanha de 19 candidatos de Bragança, Atibaia e Vale do Paraíba


Publicado em 12/11/2018 20:49


Valores, que somam mais de R$ 550 mil, constam na lista detalhada entregue por delator à Justiça. Repasses foram declarados. Partidos definiram a aplicação dos recursos, dizem políticos. JBS aplicou, por meio de repasses a nove partidos, mais de R$ 550 mil nas campanhas eleitorais de 2014 de 19 candidatos do Vale do Paraíba e região. O levantamento detalhado, com os nomes dos 1.829 beneficiários em todo país e os valores pagos pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, foi entregue à Justiça pelo diretor de Relações Institucionais e Governo do grupo J&F, Ricardo Saud, em delação premiada. Os valores irrigaram a última campanha para os cargos de deputado estadual e federal. As informações declaradas por Saud foram confrontadas com a prestação de contas de campanha dos políticos. A empresa fez os repasses aos partidos apostando, futuramente, em um bom relacionamento com os candidatos caso eles fossem eleitos. Saud classificou os pagamentos a políticos como 'reservatório de boa vontade'. As doações foram declaradas e os políticos da região que constam na lista entregue pelo delator não são alvo de inquérito. Eles negam qualquer relação com a JBS e afirmam que não há irregularidades nas campanhas. (leia mais abaixo) À reportagem, os políticos disseram que os valores foram distribuídos por meio do fundo partidário - na prática, os partidos receberam a quantia e redistribuíram ou aplicaram em ações que envolviam os candidatos. Os critérios para uso do recurso foram definidos pela direção das siglas. Dos candidatos que declararam uso dos recursos da JBS no Vale e região, dois foram eleitos, sendo o deputado federal Flavinho (PSB) e o deputado estadual Padre Afonso (PV), que têm redutos respectivamente em Cachoeira Paulista e Taubaté. Flavinho contou com R$ 2.099 da JBS e Padre Afonso R$ 36 mil. Valores - O maior valor, de R$ 187.703, foi repassado à campanha do candidato a deputado estadual Valdir Alvarenga (SD), que não foi eleito. Atualmente, ele ocupa o cargo de vereador em São José dos Campos. A candidata a deputada estadual Andreia Gonçalves (SD), declarou a segunda maior fatia aplicada pelo grupo controlado pelos irmãos Batista, sendo R$ 104.138 mil. A base eleitoral dela é na região de Taubaté. O terceiro maior valor apontado na região, pela lista do delator, foi de R$ 69.064 mil. O recurso foi injetado por intermédio do Solidariedade (SD) na campanha do então candidato a deputado estadual Josias Diniz, cujo reduto é na região de Cruzeiro. Também tiveram as campanhas irrigadas pela JBS os candidatos a deputado estadual Isaac do Carmo (PT), que é ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubate e contou com R$ 58 mil; Beto Tricoli (PV) de Atibaia, cujo repasse foi de R$ 45 mil e Graça (PSB), que utilizou R$ 15 mil da JBS na campanha. Ela é atualmente é vereadora em Taubaté. Dr. João Carlos, candidato a deputado estadual por Guaratinguetá, obteve R$ 23.750 mil para a campanha por meio da empresa e a então candidata petista a deputada federal, Ana Lídia, de São José, contou com R$ 15 mil. O candidato a deputado estadual, Miguel Lopes (PSD), consta no documento entregue por Saud como beneficiário de um valor de R$ 10 mil. Também concorria ao mesmo cargo Professor Eric (PR), de Pinda, que contou com R$ 2 mil. O delator também apontou na lista os nomes da médica de Guaratinguetá, Drª Juniata (PSB), que foi candidata a deputada estadual; e do vereador de Taubaté, João Vidal (PSB), que também concorreu em 2014 ao cargo de deputado estadual. Na lista, o repasse à médica consta como de R$ 600 e, a Vidal, de R$ 770. Ernesto Quissak (PRP), que é de Guará, pleiteava uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), e contou com R$ 741. O atual prefeito de Guaratinguetá, Marcus Soliva (PSL), candidato a deputado estadual em 2014, teve aplicado à campanha, segundo consta na prestação de contas dele, um valor estimado de R$ 2.060. O recurso, com origem na JBS, foi aplicado pelo partido em um vídeo do partido, que contou com a participação do político. Marcelo Ortiz (PSL), cujo reduto é Taubaté, teve disponível o mesmo valor que Soliva - ele concorria ao cargo de deputado federal. Completam a lista dois candidatos do PMN, sendo Toninho Monteiro, de Bragança Paulista, que concorria à deputado federal e, Maurílio Neto, de Lorena, que concorria à deputado estadual. Eles contaram com, respectivamente, R$ 1.474 e R$ 2.165. Outro lado - O deputado federal Flavinho (PSB) afirmou, em nota, que não recebeu valores diretamente da empresa. “Só vim a ter conhecimento das instituições que doaram ao partido ao final das eleições, quando recebi de volta os recibos eleitorais que estavam em posse do partido para preenchimento e assinatura. Infelizmente o Sistema Eleitoral vigente à época gerava o risco de expor pessoas decentes a este constrangimento. Competirá às autoridades policiais e judiciárias a mais ampla e irrestrita investigação em relação às doações e sua legalidade”, disse. O deputado também afirmou que “nunca me relacionei, seja enquanto candidato, seja já como deputado federal com qualquer representante da empresa em questão, e muito menos com o indivíduo que faz esta ardilosa acusação generalizada”, disse. O deputado Padre Afonso (PV) informou, em nota, que a doação foi recebida pelo partido e repassada aos candidatos do Estado. “O valor, no entanto, foi declarado à Justiça Eleitoral tanto pelo deputado, quanto pelo partido, tendo sido efetuado rigorosamente dentro da lei”, afirmou. Ele ressaltou que “jamais teve qualquer contato com a JBS, jamais recebeu qualquer recurso de qualquer uma de suas empresas e tampouco conhece qualquer pessoa ligada ao grupo”, informou. O vereador Valdir Alvarenga (SD) disse que os recursos foram disponibilizados pelo partido de forma legal, declarados em sua prestação de contas e utilizados para a confecção de material de campanha. “Tenho convicção que realizei uma campanha limpa e dentro dos rigores da legalidade”, afirmou. “Quando recebi o dinheiro, via conta bancária específica de campanha, não fui perguntar qual era a origem do dinheiro, até mesmo porque se me falassem que era da empresa JBS, para mim não teria problema algum, pois em 2014, além de não conhecê-la, não existia qualquer indício de contestação moral ou legal dessa empresa. Andreia Gonçalves (SD) afirmou que a doação veio do partido e que não sabia que a verba era fruto de doação da empresa. “Só tive conhecimento quando juntamos os recibos para fazer a prestação de contas”. Ela reforçou que a campanha foi feita com recursos legais e que não tem qualquer relacionamento com a empresa. Andreia afirmou que terá uma reunião com o partido e que pretende levar o tema para ser discutido na ocasião. Josias Diniz (SD) afirmou que sua campanha foi feita de acordo com a legislação, que recolheu todos os tributos e que as contas foram aprovadas. Ele disse que a doação veio do partido. “Não tenho nenhum contato com a empresa, não conheço ninguém da JBS, minha campanha está de acordo com a lei”, defendeu. Beto Trícoli (PV) disse que não tem qualquer relação com a empresa e que recebeu doações dela apenas porque vieram repassadas pelo partido, sem que tivesse conhecimento da origem dos recursos. “Não me comprometi com ninguém, a campanha foi feita totalmente de forma legal”, afirmou. O político ressaltou que irá debater as doações com o partido. Isaac do Carmo (PT) informou, por nota, que a doação foi realizada através de recursos legais repassados pelo comitê financeiro do partido, “sem nenhuma participação minha como candidato”. Ele informou também que não teve “nenhum encontro com qualquer empresário da JBS” e defendeu sua conduta na presidência do sindicato: “sempre me pautei pela ética, pela dignidade e o respeito às leis”, disse. O sindicato informou que a atual presidência do sindicato ressalta que jamais esteve envolvida em qualquer ilícito, não tem relação com partido político e sempre agiu de forma correta e apartidária. Dr. João Carlos (PT) foi procurado na quinta (25) e nesta sexta (26), no celular e no trabalho, mas não retornou as ligações da reportagem. A vereadora de Taubaté Graça (PSD) disse que a doação foi registrada na prestação de contas, recebida pelo partido – na época ela era filiada ao PSB – e que ela não tinha conhecimento de que o recurso viria da empresa. “Não tenho qualquer contato com essa empresa, não conheço ninguém nem recebi nada diretamente deles. Só tive conhecimento desta verba na prestação de contas, ao final da campanha”, afirmou. Marcus Soliva (PSL), informou por meio de nota, que recebeu à época a convocação do partido PSL para ir a São Paulo fazer a gravação de 8 segundos para ser veiculada no horário eleitoral gratuito. "O partido PSL contratou um estúdio onde todos os candidatos compareceram no dia marcado para gravação. Posteriormente, o partido registrou a doação no valor de R$ 2.060 como valor estimado pelo serviço de gravação", apontou. Ele destacou ainda que em 2014 as doações de pessoa jurídica a partidos e candidatos eram permitidas e as contas dele foram aprovadas. Soliva reforçou que, enquanto candidato, nunca teve contato com a JBS e também não conhece os proprietários da empresa. João Vidal (PSB), vereador em Taubaté, afirmou que o recurso veio do partido em forma de material de campanha – ‘santinhos’. Ele destacou que não sabia que a doação à sigla havia sido feita pela empresa e que a campanha foi feita de forma legal. O parlamentar também afirmou que não conhece nenhum membro da empresa. Ana Lídia (PT) informou, em nota, que o recurso consta em sua prestação de contas: “as doações em questão nem sequer deveriam constar de uma delação premiada, já que tal informação é pública”. Ela também informou que o recurso veio por meio do partido e que não teve qualquer contato com a empresa. “Tomamos conhecimento do ‘doador originário’ somente ao receber do ‘doador’, o diretório estadual do PT-SP, os dados para a emissão do respectivo recibo eleitoral.” Maurílio Neto (PMN) disse que os recursos foram recebidos via partido “regularmente declarados e aprovados junto à Justiça Eleitoral”. “É importante deixar claro que, o candidato não tem acesso à informação sobre a origem das doações oriundas do partido”, afirmou. Drª Juniata (PSB) negou irregularidades na campanha e disse que custeou suas próprias despesas. “Não recebi valores do partido, nada foi pago por coligação, e tudo paguei do meu bolso. Não houve irregularidade na verba usada, sou contra esse tipo de doação”, afirmou ela. O PSB contesta a afirmação. (leia mais abaixo) Toninho Monteiro (PMN), que atualmente está filiado ao DEM, disse desconhecer a origem da doação e que custeou a campanha com recursos próprios. “Não entro em nada que é ilegal, se veio algum material do partido foi em panfleto, que eles mandam para todos os candidatos”, afirmou. Professor Eric (PR) afirmou que as doações vieram por meio do partido e são legais. Miguel Lopes (PSD) se disse surpreso com a doação da JBS. "Para mim é uma surpresa, tive ajuda do partido, nem sei onde fica a JBS. Recebi a ajuda do partido, o financiamento da minha campanha foi pequena, tive poucos votos e não houve nada ilegal", disse. Marcelo Ortiz (PV) não retornou e Ernesto Quissak (PRP) não foi localizado. Partidos - O coordenador estadual do PV, Marcos Belizário, nega que o partido tinha conhecimento sobre as irregularidades da JBS e que não teve nenhum benefício com a empresa. "Todos os partidos buscam recurso para fazer campanha, como sou produtor rural já conhecia a JBS e pedi para eles, até porque tinha me chamado atenção que a empresa era uma das principais doadoras. Não temos vinculo político nenhum com a empresa, nem ninguém do partido teve algum beneficio. Recebemos a doação, assim como recebemos de outras empresas, se ela tem irregularidades, tem que pagar por isso. Não tinha com a gente saber, ninguém sabia", disse. O presidente do PMN, Antonio Carlos Massarolo, disse que não tem detalhes sobre como foi realizada a captação do recurso, mas que todo o processo ocorreu por vias legais. "Na época era outra presidente, que veio a falecer. Mas tenho todos os documentos referentes a essa doação que foi feita legalmente para a conta do partido. Todo o valor foi repassado para os candidatos que pediram ajuda. Em 2014, não se falava de problemas com a JBS, de qualquer forma não tinha como saber das irregularidades", afirmou. O PSD informou, em nota, que “todas as doações recebidas e transferidas para candidatos seguiram a legislação e foram informadas à Justiça Eleitoral”. O PSB afirmou em nota, que “recebeu do PSB Nacional, em material de campanha, as doações citadas e declaradas ao TSE e repassou os respectivos materiais aos quatro candidatos”, disse. O PSL informou, por meio de nota, que a doação foi utilizada para custear um estúdio onde foi feita a gravação para o horário eleitoral gratuito, “lembrando que em 2014 as doações de pessoa jurídica a partidos e candidatos eram permitidas e as contas do candidato foram aprovadas”, trouxe a nota. O PRP defendeu que a doação foi legal. Em nota, o partido afirmou que “acredita na Justiça brasileira para dirimir quaisquer dúvidas a respeito dessa doação e não compactua, de forma alguma, com os acontecimentos envolvendo dinheiro de corrupção”. O PR informou que “todas as doações foram feitas ao diretório nacional da legenda, sem que houvesse qualquer vinculação prévia com as candidaturas nas eleições estaduais”. O SD informou que as doações foram devidamente registradas na Justiça eleitoral e regulares. O PT não deu um retorno para a reportagem. JBS - Sobre a lista apresentada à Justiça por Saud, a JBS informou em nota que os executivos realizaram um acordo de colaboração com a Procuradoria Geral da República (PGR), conforme divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, que homologou a delação. "Todos os atos cometidos no passado foram comunicados à PGR e estão documentados nos autos da delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal. As informações, dados e provas encontram-se em poder da Justiça, órgão responsável pela avaliação e análise de tais documentos. Os executivos seguem à disposição e em colaboraçã o com as autoridades", disse a empresa por meio da assessoria de imprensa. Fonte: g1.globo.com

Voltar