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Editorial

*Vada a bordo, cazzo!!


Publicado em 12/11/2018 19:34


Paulo Alberti Filho Em meio a maior crise administrativa da história de Bragança Paulista e da maior crise moral envolvendo o gabinete do prefeito Fernão Dias da Silva Leme (PT) depois da ação do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na semana passada, o prefeito Fernão Dias e a primeira dama Rosangela Leme, presa e liberta depois da incursão policial, saem de férias por 10 dias. Ainda que se releve o impacto do fato na família, o dever do homem público está acima dos incidentes de percurso que ocorrem no exercício do cargo. No momento grave por que passa Bragança, o prefeito não deveria abandonar o posto sob qualquer pretexto. É como um navio em naufrágio cujo comandante é sempre o último a abandonar o barco, mesmo que temporariamente. Esse gesto nos remete ao capitão do navio Costa Concórdia, Francesco Schettino, que naufragou na região da Toscana (Itália) em 2012, abandonou o posto ocasionando a morte de 32 pessoas. A causa do naufrágio foi a incompetência e a soberba do capitão Schettino que ao ser flagrado abandonando o navio, o comandante da embarcação que socorria às vitimas, gritou: “Vado a bordo,cazzo!” Em Bragança, o fato não chega a tanto, mas a cidade agoniza sobre a incompetência, a má gestão de recursos públicos, a gastos perdulários envolvendo a terceirização de serviços e locação de máquinas e equipamentos; de licitações mal elaboradas que invariavelmente precisam ser refeitas, quer pela incompetência de seu departamento de compras, quer por recurso de empresas que detectam falhas, quer por ação do Tribunal de Contas. Tudo isso assistido de camarote, servil e silenciosamente pela Câmara Municipal e seus 19 vereadores. O prefeito na prática é o reflexo de seus atos e de seus secretários. Um ditador se reflete na sociedade por meio de seus atos e servilidade cega de seus subordinados. Um anarquista é refletido na sociedade pela pessoalidade e baderna (ou torre de babel) administrativa em que transforma a cidade. Que tipo de governo municipal temos? Um governo que determina a diminuição inadmissível de serviços essenciais como iluminação e limpeza públicas, coleta de lixo doméstico, hospitalar, e outros fatores que estão longe das vistas da imprensa e do povo? Um governo administrado por um prefeito que sofre ação do GAECO, tem seu gabinete e residência vasculhados por policiais, atinge indelevelmente a auto estima da população e dos servidores. Nestes 10 dias de ausência do prefeito, que dificilmente alguém notará, porque quem assume é a vice-prefeita, Huguette Theodoro, do PTB, cúmplice juramentada e entusiasta dessa administração, que deve exclusivamente manter o trono do alcaide aquecido até seu retorno. Por que ninguém notará a ausência do prefeito? Porque Bragança não tem prefeito de fato. Tem um concessor de gerenciadores de imóveis populares (Minha Casa Minha Vida), outros de alto padrão e grandes empreendimentos imobiliários (aprovação de projetos), de empresas terceirizadas, de locadoras de máquinas e equipamentos cujos serviços são execrados pela população, como a Saúde, por exemplo. Tem um secretariado e assessores de primeiro escalão, cuja maioria chega às 11h para trabalhar e sai às 15h. Temos um governo que não honra compromissos com fornecedores e prestadores de serviços (como os R$ 6 milhões que a Prefeitura deve para a Embralixo, por exemplo) e provoca demissões nessas empresas agravando a situação social do município. A culpa é da crise? Sim, da crise imposta pela incompetência da administração municipal do PT que, somada a crise nacional imposta pela roubalheira do governo do PT e aliados, transformou nossa cidade na mais retrógada da região e, quem sabe, do Estado de São Paulo. Não é hora de tirar férias, prefeito. Não é hora de abandonar o barco! Vada a bordo, cazzo!! (*Vada a borda, cazzo! Expressão italiana de tradução livre que quer dizer “Vai a bordo....”)

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