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Editorial

Tribo$ de cacique$


Publicado em 02/02/2019 08:58


 

A política partidária brasileira vai bem, obrigado. Mas só para os dirigentes das siglas, que se fartam da inesgotável fonte de renda que vem dos contribuintes, a quem cabe bancar uma farra que não tem prazo para acabar. No ano passado foram mais de R$ 2 bilhões a essa camarilha de privilegiados que disputam cargos eletivos (poucos se elegem) e integram quadros diretivos.

Levantamento feito junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que o País conta hoje com 35 partidos registrados. O espantoso vem agora: esse número pode chegar a 110 legendas. Isso mesmo, mais de uma centena. É que há, no TSE, mais 75 pedidos de registro em análise. Diz a condescendente legislação, sugerida, discutida e aprovada pelos próprios interessados, que somente agremiações que tenham estatuto registrado no TSE até seis meses antes de cada pleito, bem como o órgão de direção constituído na circunscrição até a data da convenção, podem participar do processo eleitoral.

O ex-presidente Jânio Quadros, não poucas vezes, afirmava em debates eleitorais que ‘plano de governo’ e ‘estatuto partidário’ eram facilmente adquiridos na Rua 25 de Março, por verdadeira pechincha. Isto é, o estatuto está longe de ser um entrave aos partidos e reforça a prática lesiva de que aos partidos (tribos) o que importa são os caciques, mesmo que não haja índios.

Cumprida essa etapa do registro, vem o prêmio: por força da lei, a legenda passa a ter direito aos recursos milionários do Fundo Partidário, além do acesso gratuito ao tempo de rádio e televisão pagos com verba pública. Um verdadeiro paraíso. E vai além, o registro do estatuto na Corte Eleitoral também assegura a exclusividade da denominação da legenda, bem como de sua sigla e símbolos.

O pulo do gato, muito comum entre políticos, se materializa apenas a meia-dúzia de políticos, que goza dos benefícios fartos da grana, enquanto à patuleia, também conhecida como filiados, sobra, segundo a legislação, ‘o sagrado’ direito de votar e sustentar os espertalhões.

Apenas para que o amigo leitor tenha ideia dos absurdos que aguardam registro, damos aqui dois exemplos: Partido Nacional Corinthiano (PNC) e Partido da Evolução Democrática (PED).

 

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