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Editorial

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come


Publicado em 12/11/2018 19:34


Da Redação O processo de cassação do título de Cidadão Bragantino concedido ao delator da Lava Jato, Rodrigo Morales, que confessou participação efetiva em várias operações de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas investigadas pela Polícia Federal, envolvendo as construtoras OAS, UTC e a concessionária CAOA que comercializa carros da Hyundai, começou andar na Comissão de Justiça da Câmara. Na sessão da CJ de terça-feira, 12, o presidente Marcus Valle (PV) em veloz canetada que durou cerca de 45 segundos, nomeou como relator o vereador Gabriel Gonçalves (DEM), por ter sido ele o relator da proposta da vereadora Fabiana Alessandri (PSD) que concedeu a honraria ao delator. Desta forma, Marcus Valle tenta politizar o fato. Poderia ter nomeado Miguel Lopes (PSD), Rita Valle (PV) ou ainda, Gislene Bueno (PRTB) que é do mesmo grupo político de Gabriel e feroz adversário do PT/PTB/PV. O presidente colocou Gabriel numa saia justíssima porque, segundo se propalava nos bastidores da Câmara, ele seria um dos mensageiros de Morales para tentar melar o projeto de cassação da honraria proposto pelo vereador Leo Arantes (PSC). Seja como for, o importante é que a Comissão de Justiça terá que julgar a legalidade ou não do projeto de decreto legislativo que revoga a concessão do título. Por duas vezes a CJ, por meio de ação de Marcus Valle, se esquivou de analisar a denúncia. Primeiramente alegou que era anônima, não merecia crédito e pediu o arquivamento. Diante dessa postura do presidente da CJ, o jornalista Paulo Alberti Filho, indignado pela covardia da CJ de não apreciar uma denúncia que, embora anônima, continha fortes e comprovados motivos para a cassação, formalizou junto ao presidente a assunção da denúncia anexando um dossiê com 80 páginas expondo os crimes praticados por Morales. Mesmo assim, Valle na condição de presidente da CJ evitou a apreciação da mátria e devolveu ao presidente da Casa propondo que algum vereador, se interesse tivesse, apresentasse o projeto de decreto legislativo. E isso foi feito pelo vereador Leo Arantes, o único a ter coragem e iniciativa. Agora não tem mais saída e as vistas voltam para o parecer do relator Gabriel Gonçalves que deve opinar sobre a legalidade ou não, mandar a matéria para votação em plenário, ou arrumar uma desculpa qualquer para arquivar. Porém, estamos em ano eleitoral e a sombra de benemérito que exala de Morales, tão exaltada na justificativa de Fabiana Alessandri na proposta que concedeu-lhe a horária, pode estar assombrando muita gente. Politicamente, os vereadores estão naquela situação, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

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