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Editorial

Luxúria imobiliária


Publicado em 08/02/2019 10:45


 

Foi se o tempo que nossa cidade era um entreposto de comércio entre o Sul de Minas e o extremo sudeste de São Paulo. Havia a estrada de ferro tutelada pelo Estado. Era a época que os coronéis do café, do leite e do gado mandavam prender e mandavam soltar. Bragança sempre foi uma grande fazenda. Infelizmente, virou uma fazendinha. Hoje restam apenas pastinhos que tratam cavalinhos que inflam egos de amantes da tradição sertaneja. Haras de criadores de raças nobres ainda subsistem, por capricho ou por terem poderosos ocupando as raras grandes fazendas que ainda resistem ao clamor imobiliário.

As grandes fazendas, entretanto, estão deixando de existir. A fazenda do Vieira se transformou no Jardim América, a fazenda do Grimelo virou Jardim Califórnia e Jardim Europa, a fazenda dos Marcovisk é hoje o Jardim Santa Helena, Portal de Bragança e esse é o destino das fazendas. A fazenda Bocaina também está no mesmo caminho, assim como as fazendas do Caetê, Bela Manhã, Bonanza, etc.

O que era pasto e agricultura se transformou em loteamentos. Bragança tinha estrutura para criar gado, plantar café, batata, enfim, desenvolver a agricultura e a pecuária.

Na zona noroeste é pior ainda. Na região do sitio dos Grasson, que produzia uva, vinho e vinagre, hoje abriga loteamentos. E assim é por todos os quadrantes do município. Não se despreze os condomínios de casinhas de três metros de frente, permitidos irresponsavelmente por vereadores e prefeitos, igualmente irresponsáveis, em outras regiões nos últimos 13 anos. Louvem-se os loteamentos, desde que sejam construídos obedecendo a lei, sem subterfúgios, sem falsos EIV/RIV que maculam e lesam a comunidade e o município. Seria maravilhoso se esses empreendedores, além da luxúria do lucro que os embevecem, se preocupassem com a qualidade de vida dos que compram seus lotes. Boa parte dos compradores é de boa fé, almeja casa própria, segurança, escolas, creches, saúde e transporte, esperam a paz e tranquilidade da propaganda ofertada. Mas isso não acontece.

A Prefeitura é sempre o ponto de partida para qualquer empreendimento. Ninguém dá segundo passo, em qualquer empreendimento, se a Prefeitura não permitir. Se Bragança está sendo estuprada nesse sentido é porque alguém foi ou está sendo conivente e de má fé.

A luxúria dos lucros dos loteadores contamina os poderes. Todos os poderes, sem exceção.  Não fosse assim tudo isso não estaria acontecendo.

 

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