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Editorial

Jogando a toalha


Publicado em 12/11/2018 19:34


Paulo Alberti Filho Depois que o GAECO- Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado- invadiu o Gabinete do Prefeito ás 6 horas da manhã e depois sua casa no Residencial Euroville, apreendeu R$20mil no gabinete e uma mira laser de uso privativo das Forças Armadas em sua residência, o prefeito Fernão Dias parece que não é mais o mesmo no exercício do seu mandato. Na ocasião, a primeira dama Rosangela Leme assumiu a posse da mira laser, foi detida, levada à São Paulo e mais tarde libertada. Provavelmente esses fatos pesaram na conduta do chefe do Executivo. A partir de então, a cidade que já vinha sendo mal administrada por uma série de razões políticas, econômicas e de competência parece ter ficado a deriva. O prefeito se isolou no gabinete, o secretariado ficou assustado e a revelação da dívida da Prefeitura que beirou os R$100milhões, desmotivou o funcionalismo e frustrou ainda mais a população. Sem apoio político na Câmara, sofrendo pressões fortes da sociedade, principalmente por causa da terceirização da Saúde em favor da ABBC (empresa que está sendo investigada e alvo de processos judiciais em outras cidades) e do corte de verbas das entidades assistenciais, o prefeito demonstra ter se recolhido como se estivesse passando por uma crise de depressão administrativa e política. É como tivesse jogado a toalha deixando o comando da cidade para assessores mais próximos, alguns deles, que nem conhece Bragança Paulista e seus problemas, outros que, como ele, não tem competência nenhuma para a vida pública. Por outro lado, a revelação de que seu dileto amigo pessoal, advogado Rodrigo Morales, tido como um dos maiores patrocinadores de sua campanha a prefeito, está envolvido até o pescoço no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Lava Jato, certamente o preocupa. Suas constantes sonecas no sofá do gabinete durante o expediente, conforme confirmou fonte de alta credibilidade, demonstra cansaço ou desilusão com o cargo. Possivelmente com baixa auto estima, as vaias eloquentes promovidas por mais de 40 mil pessoas, ouvidas no Posto de Monta durante a Festa do Peão, com apenas a citação de seu nome, deve tê-lo trazido à realidade de sua atuação como prefeito. Para agravar a situação, acusado de ter praticado pedaladas contábeis, a Câmara Municipal instalou uma Comissão de Inquérito que vai investigar contratos e o fechamento das contas da Prefeitura dos meses de dezembro de 2015 e janeiro de 2016. Mais recentemente, o prefeito praticou dois atos estranhos, para sermos condescendentes; ou atos inconsequentes, para sermos realistas; ou ainda atos duvidosos, para sermos investigadores. Estou me referindo ao projeto de lei que equipararia o cargo e salário das pajens com os de professores de desenvolvimento infantil. O projeto declarado ilegal por seu secretário Jurídico, com todas as letras da Constituição Federal, foi enviado à Câmara porque o prefeito não acreditou no secretário. Depois de rejeitado na Comissão de Justiça da Câmara, ele confessou que preferiu acreditar na opinião do presidente e da advogada do SISMUB, do que dar crédito ao parecer dos advogados da Prefeitura. Outro fato é a proposta de alteração da Lei Orgânica do Município que exporia abertamente a negociação com terceiros os sistemas de lazer do município, incluindo quaisquer praças e jardins. Ninguém em sã consciência e com o mínimo de conhecimento da coisa pública se sujeitaria a tamanhas aberrações. O prefeito Fernão Dias se isolou e abandonou a cidade. Essa é uma análise balizada em apenas três fatos ocorridos nos últimos seis meses. Há situações piores que essas? Provavelmente. Talvez por essas e outras razões, Bragança e o prefeito estejam vivenciando o clima da derrocada do governo do PT, de Dilma e Lula no País, dos quais o prefeito é ardoroso seguidor. Assim como o Brasil, Bragança está praticamente sem governo, falida, sem perspectiva de melhoras e na expectativa de que as eleições cheguem logo. Serão longos 238 dias que teremos que aturar até 31 de dezembro, quando terminará o pior governo que Bragança já teve.

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