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Editorial

FIDELIDADE POLÍTICA - Moeda rara e valiosa


Publicado em 12/11/2018 19:34


Paulo Alberti Filho A fidelidade é uma moeda rara e valiosa no meio político. A infidelidade é como um vazo trincado. Já dizia o poeta João Nogueira em uma de suas composições, “Se ela fez com ele, vai fazer comigo, exatamente igual.” E assim tem sido as traições ao longo da história. Já vivenciei muitas na últimas 4 décadas que acompanho a vida política de Bragança. Na Câmara Municipal então nem se fala. Quantas votações foram traídas na hora “H” do voto. Na Câmara, eu me lembro de várias. Uma delas, não vivenciei, mas historiadores me contaram, ocorreu entre as décadas de 50 e 60 do século passado. Diz a história que um vereador, fazendeiro e de tradicional família bragantina, estava na sua fazenda no Mato Grosso e foi convocado para a sessão que elegeria o novo presidente da Câmara e seu voto seria decisivo. Ao chegar em Bragança, um dos vereadores candidato a presidência, que tinha um crédito com o fazendeiro, o procurou e negociou o voto com a liquidação das promissórias. Feito o acordo, o vereador fazendeiro pegou as promissórias, rasgou e jogou no lixo. Na votação, o vereador candidato perdeu. Ao ser traído na boca da urna, o vereador derrotado, muito irado, sacou de uma arma e começou a atirar para cima. Ninguém ficou ferido, além do vereador traído na sua confiança. Perdeu a eleição e o dinheiro que teria comprado o voto do fazendeiro. Numa outra ocasião mais recente, e essa eu presenciei mas vou omitir nomes por razões óbvias, numa eleição da Mesa da Câmara, reuniram- se os vereadores na sala da presidência. Ali acertaram que fulano seria eleito presidente. A sala da presidência fica a cinco metros do plenário. O candidato escolhido saiu da sala sorridente e garboso e adentrou o plenário na certeza da vitória. Porém, ao percorrer esse espaço de cinco metros, um dos vereadores mudou o voto e o então escolhido foi derrotado. Surpresa geral diante de tão cruel traição. Um terceiro caso, mais recente, ocorreu que um vereador tinha compromissado o voto ao candidato a presidência, Marcelo Lo Sardo, apoiado pelo grupo Chedid. No dia da sessão, o então prefeito José de Lima, presente na sessão, num intervalo, chamou o vereador e convenceu-o a votar no seu candidato que seria o Marcus Valle. Na trajetória até o plenário, a esposa do vereador que estava no auditório, chamou-o e o repreendeu energicamente pela traição que estava prestes a cometer.O vereador, cedeu manteve o voto em Marcelo. Dupla traição, que no final se transformou em lealdade ao primeiro. A lealdade, a fidelidade no meio político é uma moeda extremamente valiosa. Ela não é útil somente nos entraves ou nos embates políticos. É fundamental na vida das pessoas. A fidelidade e a lealdade envolvem dois componentes desafiadores: a vaidade e a ambição. Renunciar a vaidade e a ambição é maior prova de lealdade e fidelidade a uma pessoa, a uma família ou a um grupo político. Infelizmente, um exemplo que Renato Frangini não teria dado si próprio e ao meio político, ao desprezar o berço que durante mais de uma década o embalou e que, um dia em 2012, lhe proporcionou a oportunidade de ser prefeito de Bragança. Mais que isso, deu-lhe a possibilidade da segunda oportunidade agora em 2016.

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