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Editorial

Enfim, um sinal de bom senso do prefeito


Publicado em 12/11/2018 19:34


Paulo Alberti Filho Faltando apenas 28 minutos para a Câmara Municipal votar o projeto que autorizava a Prefeitura celebrar um contrato bilionário e leonino com a SABESP por até 60 anos, o que seria muito ruim para a cidade nos termos em quem está redigido, o prefeito Fernão Dias (PT) ao perceber a viola em caco e que os vereadores iriam rejeitar o projeto, resolveu retirá-lo da pauta de votação. Assim, um ofício enviado pelo prefeito à Câmara, às 15h32, 28 minutos antes do início da sessão, interrompeu a tramitação e o projeto foi devolvido ao Executivo. O mapa da votação estava traçado. Os 11 vereadores que assinaram o ofício do vereador Jorge do Proerd pedindo  reestudo do projeto, que foi ignorado pelo prefeito e pela Sabesp, certamente iriam confirmar  que não aprovariam o contrato da forma  como  que está redigido. O placar seria de 11 contra e oito a favor. Para aprovar seriam necessários 13 votos. Se isso ocorresse, o projeto só poderia voltar à Câmara em 2016 e, por ser ano político, a situação não seria nada favorável. Talvez orientado por uma luz divina, daquelas que clareiam o bom senso e a visão administrativa, vinda de alguma força que realmente quer o bem da cidade, o prefeito retirou o projeto da Câmara para reestudá-lo como sugeriram os vereadores que assinaram o ofício do edil Jorge do Proerd.  Muito bem. A situação está zerada, apesar do contrato estar vencido a seis anos. Agora resta recomeçar as discussões sobre os termos do contrato. A soberana e soberba Sabesp também precisa fazer sua parte, colaborar para o consenso e se colocar no seu devido lugar no cenário político administrativo do município. Se postar como prestadora de serviços e não como uma suposta detentora de todos os poderes para decidir unilateralmente sobre o que fazer, cobrar ou não, no setor de saneamento e abastecimento do município, sem que haja necessidade de o município ter que recorrer  a aplicação de multas por não cumprir sua obrigação, ou ao Poder Judiciário cada vez que precise ser ouvido ou contestar sobre ações da autarquia. A Prefeitura por sua vez, deve se equipar com pessoas capacitadas tecnicamente e juridicamente, sem elos políticos ou devaneios, que conheçam a realidade do município, a história  pró e contra a atividade da Sabesp em nossa cidade nos últimos 36 anos, e elaborar um contrato que seja bom para a cidade e para a Sabesp. Concluído esse estudo, expô-lo à sociedade organizada e à Câmara Municipal, readequá-lo se for o acaso e, aí sim, submeter a votação dos vereadores. É o caminho natural e básico quando se trata de processo desta grandeza e natureza envolvendo a administração pública. Por outro lado, politicamente, o Palácio Santo Agostinho parece repetir o Palácio do Planalto. A presidente Dilma (PT) quis baixar a mão de ferro sobre a Câmara dos Deputados na eleição da Mesa e sofreu uma humilhante derrota para o dep. Eduardo Cunha (PMDB). Não se satisfez.  E novamente, no berro e na mão de ferro, tentou virar a eleição da Mesa do Senado, sofreu outra derrota. Ainda não satisfeita tentou, sempre no berro, aprovar o ajuste fiscal, rejeitar a terceirização de serviços em empresas privadas, e sofreu mais duas derrotas. Com a viola já em caco, mandou o articulador político Aloísio Mercadante descansar na sua chácara em Joanópolis (perto daquela famosa mega-ultra -hiper chácara do Lula  em Atibaia, que teria sido reformada pela  empreiteira do lava-jato, OAS) antes de exonerá-lo da função; chamou o Pepe Legal,(ops!), quer dizer  o Pepe Vargas, que também foi  um maria -mole e, por fim, para não ser tentada a renunciar também por causa da sua própria incompetência e  de seus assessores petistas, pediu socorro a Michel Temer, político habilidoso, para tentar arrumar a bagunça instalada pelo PT no Palácio do Planalto e no governo. E assim está Brasília. Dilma se fez ‘rainha’ da Inglaterra e O PMDB governa. Em Bragança, a situação não difere muito. O Palácio Santo Agostinho não tem articulação política, é uma casa de Irene, onde se fala, se grita, se vem e se vai e nada se faz. O fato é que todo mundo fala, poucos trabalham, gasta-se perdulariamente, o prefeito acredita até em canto de sereia e ninguém governa. Com esse diagnóstico, caso não mude, a única vitória política do prefeito continuará sendo a que obteve por  21 votos de diferença  sobre então candidato Renato Frangini, em outubro de 2012. E até aqui, não foi só Frangini o derrotado. Bragança também está sendo.

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