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Editorial

Carga pesada


Publicado em 12/11/2018 19:34


Ainda com focos do movimento grevista encetado por caminhoneiros, visíveis em vários Estados, a pergunta que já se faz nos meios econômicos é uma só: quanto tempo vai levar para que o Brasil volte à normalidade? A paralisação quase geral durante os últimos dez dias revelou que a autoridade brasileira (leia-se governo) é lenta em suas ações e não tem capacidade de reação imediata para buscar atendimento emergencial às necessidades básicas. A pane seca não foi só nas bombas dos postos e tanques dos carros, alcançou também áreas estratégicas do governo, que na discussão e negociação com o movimento foram ineficazes. O presidente da República, refém de caminhoneiros e daqueles que comandaram o movimento, se viu forçado a lançar mão das Forças Armadas, como fez na tentativa de combater o crime no Rio de Janeiro. Ou seja, o desprezo que deu aos caminhoneiros desde janeiro, quando já vinha recebendo avisos da categoria, foi resultado do seu despreparo e de toda a sua equipe. A economia acumula prejuízos bilionários. E justamente nesta época em que o mercado dava sinais de recuperação, o País se viu refém de uma categoria disposta mais a fazer política do que brigar pelos próprios interesses. O tamanho da incompetência do Governo Temer chegou a tal ponto que o governador de São Paulo, Márcio França, um ilustre desconhecido para a maioria não só dos paulistas, mas dos brasileiros, se viu obrigado a intervir e foi a campo negociar com os grevistas e propor medidas que lhe cabia para minorar a situação, todas elas dentro da esfera estadual. Só depois que o governador deu a cara à tapa é que o Planalto resolveu se mexer. O saldo disso tudo ainda vamos sentir mais adiante. Mas a classe política pode esperar que essa ‘carga pesada’ imposta ao povo, terá um peso ainda maior nas urnas. Apenas para ilustrar o que pode vir, uma pesquisa divulgada pela Band, na segunda-feira, 28, para escolha de presidente e governador, mostrou que 50% dos brasileiros pretendem anular o voto e, por enquanto, outros 10% nem vão se permitir a chegar até às urnas.

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