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Editorial

A Justiça Eleitoral, o desembargador e a imprensa


Publicado em 12/11/2018 19:34


“O político é um ser natural e necessário. Precisamos nos livrar dos maus políticos, assim como de todos os maus profissionais, mas isso só se consegue com a participação de todos.” A afirmação foi feita pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador Carlos Eduardo Cauduro Padin. Ele se referia a uma das preocupações que elencou em sua fala: a abstenção nas eleições. Para ele, é necessário que o cidadão exerça sua cidadania. A segunda preocupação exposta foi em relação às chamadas fake news. Ele entende que o enfrentamento da disseminação de informações falsas é um grande desafio ao TRE-SP, considerando que o Poder Judiciário tem sua função natural pautada pela inércia, ou seja: só age quando provocado. “O Tribunal não será um certificador de fatos. A imprensa se reunirá para fazer isso, e ela tem mesmo esse dever”, ressaltou. No caso da imprensa, pode até ser que ela tenha uma parcela a dar nesse enfrentamento, afinal, não fosse a imprensa, esse País já teria se transformado numa dessas republiquetas de banana que ainda tem os pés fincados na América do Sul. O que o desembargador ressaltou, “que a Justiça Eleitoral, em sua função pautada pela inércia, só age quando provocada”, deveria mesmo agir contra os maus políticos, desde as mais altas instâncias, principalmente na prerrogativa de barrar candidatos com folha corrida mais suja que pau de galinheiro. Na última década, por exemplo, muitos desses ‘maus políticos’, com processos intermináveis, e se valendo da legislação benevolente, continuam não só se candidatando, como levados à condição de representantes do povo. A Justiça Eleitoral também precisa fazer a sua parte, inclusive com a celeridade que uma eleição exige, pois essa letargia absurda é que tem gerado asco no eleitor, que pelas últimas pesquisas, pretende mesmo trocar as urnas por atrações como Eliana, Gugu, Faustão e Sílvio Santos. A responsabilidade de expulsar da vida pública os bandidos, corruptos, ladrões, picaretas e outros adjetivos mais é, antes da imprensa, um dever da Justiça Eleitoral. A mídia ajuda, mas não tem o poder de condenar e prender.

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