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Um copo d’água, por favor!

Quatro anos apenas se passaram desde que São Paulo sofreu terrível crise hídrica e, aparentemente, o povo já se esqueceu de que a coisa é muito mais séria do que se pensa. O nível dos reservatórios da região da Grande São Paulo está hoje muito pior do que há cinco anos. Será que ninguém nota que em maio não choveu e em junho também não?

O inverno é estação seca e o sistema Cantareira não tem metade de sua capacidade de reserva. Em 12 de junho estava com 45,6% de reservatório e em 11 de junho de 2013, contava com 58,2% de sua capacidade. O mesmo ocorre com os sistemas Alto Tietê e Guarapiranga.

Não é demasia dizer que logo mais enfrentaremos outra crise hídrica. Ninguém está nem aí. Aquilo que deveria ser feito não se fez. Água existe, mas é contaminada. Conseguimos transformar os três grandes rios que correm por São Paulo em cloacas pestilentas, canais transportadores da ignorância de um povo que, mesmo miserável, desperdiça demais.

A característica dos povos ricos – e, portanto, civilizados – é a consciência ecológica. Houve eras sombrias, mas tanto londrinos como parisienses conseguiram recuperar o Tâmisa e o Sena. Em ambos é possível enxergar o fundo do leito e não é raro ver peixes saltando fora d’água.

Aqui negligencia-se na despoluição do Tietê, em cuja salvação já se afogou em pestilência uma montanha de dólares e de euros. Sem resultado aparente. A espuma fétida continua a atormentar Pirapora do Bom Jesus, que poderia ser um centro romeiro importante para a cultura, para a religião, para o turismo e para a economia.

A falta absoluta de educa- ção da população continua a arremessar à rua e, portanto, às bocas de lobo e, portanto, aos emissários de esgoto e, portanto, – e fi nalmente – aos rios, tudo aquilo que é descartável em nossa época. Ou seja: quase tudo. Colchões, geladeiras, fogões, sofás, pneus, imensidão de garrafa pet, papelão, fraldas descartáveis, animais mortos, imagine-se o que um dia teve serventia e, se apostar, lá estará: no Tietê, no Pinheiros ou no Tamanduateí.

A falta de educação e de consciência ecológica sujeitará a todos a mais uma carestia. Muito mais grave do que a falta de petróleo. Sem petróleo consegue-se viver. Sem água, aposto que não.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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